quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Na janela, a estrada e o Cerrado.


A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;


Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo?

Quem errou A vinda tem a regressão errada.

Já não sei de onde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar

Um alto monte, de onde possa enfim...

O que esqueci, olhando-o, relembrar,

na ausência, ao menos, saberei de mim,

E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar

Em mim um pouco de quando era assim.

Fotos Ray Titto

Fernando Pessoa

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